Origem da designação «almanaque»
Manuel Viegas Guerreiro e J. David Pinto Correia
Definição
O vocábulo almanaque é de origem incerta. Antenor Nascentes escreve: «Do árabe almanakh, lugar onde a gente manda ajoelhar os camelos; daÃ, conto, que neste lugar se ouve, e finalmente calendário. Eguilaz dá o lat. manachus (circulus) empregado por Vitrúvio no sentido de cÃrculo de um meridiano que servia para indicar os meses. No baixo latim aparece almanachus e no baixo grego alamanakon, nome dado por Eusébio a calendários egÃpcios.
Engelman salienta que o calendário em árabe é taqwim. José Pedro Machado também refere «lugar onde o camelo ajoelha», acrescentando-lhe «estação», «região», «clima». No Petit Robert, lê-se que «do lat. medieval alamanachus, árabe almanakh, provavelmente do sirÃaco, rad. ma, lua, mês». Geneviève Bollême, autoridade na matéria, é de opinião que a palavra significou primitivamente «a conta», «o cômputo».
Julgamos que melhor será considerar «almanaque» como designação de uma prática especÃfica, importada para o Ocidente, forma aculturada do conjunto de dados com que, nalgumas cortes orientais, era hábito os astrólogos presentearem os soberanos no inÃcio de cada ano. A preocupação dominante seria o fornecimento de quadros cronológicos, com a indicação do movimento dos astros, sobretudo do Sol e da Lua.
Estes quadros que podemos considerar como os antecedentes dos almanaques propriamente ditos eram conhecidos do Ocidente nos finais da Idade Média. Tinham sido elaborados por astrólogos árabes, e adaptados, depois, por judeus ou conversos (segundo a opinião do Prof. LuÃs de Albuquerque).
Assim, as tábuas preparadas por Al-Kvarismi (século IX) foram adaptadas por Malesma e, no século XII, traduzidas em latim por Adelardo de Bath. Conforme refere ainda LuÃs de Albuquerque, o primeiro destes almanaques redigido em português foi o Almanaque Perdurável, que, fazendo parte de um códice da Biblioteca Nacional de Madrid, data da primeira metade do século XIV.
O que é um almanaque.
Podemos considerar o almanaque como uma publicação de periodicidade (quase sempre) anual com variável número de páginas – que pode ir desde as dezesseis, habituais nos folhetos de cordel, até mesmo abranger algumas centenas –, a qual poderá caracterizar-se por:
1. quanto aos seus objectivos, ser obra prática de fácil e permanente consulta;
2. quanto à sua estrutura, apresentar-se muito variada, embora as diferentes matérias se organizem por referência a uma tábua cronológica ou calendário, em que se fazem anotações religiosas (festas, santos), se indicam as principais feiras e arraiais, se registam as fases da lua;
3. quanto à natureza dos conhecimentos que veicula, abranger desde os dados astronómicos e meteorológicos, efemérides, ou ainda curiosidades, conselhos práticos, mezinhas, pequenas notas sobre acontecimentos, fenómenos ou personagens, até a notas astrológicas (sobretudo o «juÃzo do ano», horóscopos), anedotas, adivinhas, provérbios, quadras e mesmo algumas poesias.
Links externos
Almanaques ou a Sabedoria e as Tarefas do Tempo
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